Tomografia de abdome mostrando linfangioma esplênico em mulher adulta
Tomografia mostrando uma lesão de aspecto sólido-cístico no baço. Fonte: World Journal of Gastroenterology/PMC.

Descobrir uma lesão no baço durante uma ultrassonografia ou tomografia costuma gerar preocupação. Uma das possibilidades — embora bastante rara em adultos — é o linfangioma esplênico.

Trata-se de uma lesão benigna relacionada a uma alteração dos vasos linfáticos. Na maioria das vezes, ela se desenvolve ainda durante a formação do organismo, mas pode permanecer silenciosa por muitos anos e ser identificada somente na vida adulta, geralmente em um exame de imagem solicitado por outro motivo.

Quão comum é o linfangioma esplênico?

É uma condição rara, encontrada principalmente na infância. Muitos casos são identificados nos primeiros anos de vida, enquanto o diagnóstico em adultos é incomum e frequentemente acontece por acaso.

Como existem poucos estudos e grande parte da literatura é formada por relatos ou pequenas séries de casos, não há dados precisos sobre sua frequência na população adulta.

O linfangioma esplênico é um câncer?

Em geral, não. O linfangioma esplênico é considerado uma lesão benigna, sem o comportamento habitual de um tumor maligno.

Apesar disso, sua aparência pode se confundir com outras alterações do baço. Nos exames, costuma apresentar pequenas cavidades preenchidas por líquido, formando uma imagem cística ou multiloculada. Entretanto, nem todos os casos possuem um aspecto completamente típico.

Peça cirúrgica de baço com linfangioma esplênico multicístico
Imagem médica de peça cirúrgica. Aspecto macroscópico de linfangiomas esplênicos com múltiplas cavidades. Fonte: BMC Surgery.

Por isso, o diagnóstico não deve ser definido apenas pela palavra escrita no laudo. Tamanho, localização, características da lesão e comparação com exames anteriores ajudam a determinar o caminho mais adequado.

Essa lesão provoca sintomas?

Muitos linfangiomas esplênicos pequenos são descobertos por acaso e não provocam qualquer sintoma.

Quando existem manifestações, as mais relatadas são:

  • desconforto ou dor do lado esquerdo do abdome;
  • sensação de peso abaixo das costelas;
  • aumento do volume abdominal;
  • saciedade precoce.

Esses sintomas são mais comuns quando a lesão é maior ou provoca aumento do baço. Complicações como sangramento, ruptura ou infecção são descritas na literatura, mas são incomuns.

Um linfangioma de 2,5 cm precisa ser operado?

Não obrigatoriamente.

Uma lesão pequena, sem sintomas, aparentemente estável e com características tranquilizadoras nos exames pode, em situações selecionadas, ser acompanhada. Esse acompanhamento pode envolver a comparação de ultrassonografias, tomografias ou ressonâncias ao longo do tempo.

A cirurgia pode ser considerada quando há:

  • crescimento da lesão;
  • sintomas relacionados ao baço;
  • dúvida relevante sobre o diagnóstico;
  • características preocupantes nos exames;
  • risco de complicações.

A decisão não depende somente do tamanho. A idade do paciente, a localização da lesão, sua evolução e a segurança do diagnóstico também precisam ser consideradas.

Retirar o baço é sempre necessário?

Também não.

Quando a cirurgia é indicada, deve-se avaliar se existe a possibilidade de preservar parte do baço ou se será necessária sua retirada completa. A localização e a extensão da lesão influenciam diretamente nessa escolha.

Imagens de tomografia e reconstrução tridimensional usadas no planejamento de uma esplenectomia parcial
Exemplo publicado de planejamento para cirurgia minimamente invasiva com preservação parcial do baço. Fonte: Frontiers in Oncology.

Como o baço participa da defesa do organismo, quando sua retirada total é necessária o paciente recebe orientações específicas, inclusive sobre vacinação e prevenção de determinadas infecções.

O que fazer depois desse achado?

O principal é não interpretar isoladamente uma palavra do laudo.

O linfangioma esplênico é raro em adultos, mas geralmente apresenta comportamento benigno. Uma avaliação individualizada permite diferenciar os casos que podem ser acompanhados daqueles que realmente precisam de tratamento.

Encontrou uma lesão no baço durante um exame?

Antes de concluir que será necessária uma cirurgia, é importante avaliar suas características, comparar exames anteriores e compreender o que esse achado representa no seu caso.

Importante
Este conteúdo é educativo e não substitui uma consulta médica. A decisão entre acompanhamento e tratamento depende da avaliação individual de cada paciente.