Relógio analógico em enquadramento próximo representando a percepção do tempo antes da cirurgia
Antes da cirurgia, é comum que o tempo pareça passar mais devagar.

Essa é uma preocupação que escuto bastante no consultório:

“Doutor, eu tenho medo da anestesia.”

No último tema, conversamos sobre o papel do anestesiologista e sobre como a segurança de uma cirurgia depende de uma equipe inteira. Talvez entender um pouco melhor o que acontece durante a anestesia ajude a tornar esse momento mais leve.

Grande parte das cirurgias que realizo por videolaparoscopia ou cirurgia robótica necessita de anestesia geral.

De maneira simples, são utilizados medicamentos para que você permaneça inconsciente, sem dor e sem percepção do procedimento. Durante esse período, o anestesiologista acompanha continuamente parâmetros como pressão arterial, frequência cardíaca, oxigenação e ventilação.

Monitor multiparamétrico acompanhando sinais vitais durante a anestesia
Pressão arterial, frequência cardíaca, oxigenação e ventilação são acompanhadas continuamente.

Quando necessário, a respiração é controlada com auxílio de ventilação mecânica, enquanto a via aérea permanece protegida.

E existe algo que gosto que meus pacientes saibam: durante esse momento, eu também estarei ao seu lado.

Enquanto o anestesiologista conduz a anestesia e acompanha suas funções vitais, eu, como cirurgião, permaneço junto à equipe, em comunicação constante, preparando o início do procedimento.

“E aquele tubo? Vou sentir alguma coisa?”

Essa é outra dúvida muito comum.

Em muitas cirurgias realizadas sob anestesia geral, a via aérea precisa ser protegida durante o procedimento. Isso faz parte do planejamento anestésico.

Máscara e circuito respiratório do aparelho de anestesia, sem paciente
O suporte respiratório é planejado e conduzido pela equipe de anestesia durante o procedimento.

O paciente não permanece consciente percebendo esse processo.

Ao término da cirurgia, os medicamentos anestésicos são ajustados e começa o despertar.

E é curioso como as perguntas mudam rapidamente.

Antes da cirurgia, o relógio parece não andar.

Depois, muitas vezes, a primeira pergunta é:

“Já terminou?”

A partir daí começa outra etapa: controle da dor, observação e recuperação progressiva.

Dependendo do tipo de cirurgia e da evolução individual, em torno de duas horas alguns pacientes já conseguem iniciar uma alimentação branda, levantar e caminhar pelo apartamento e até pegar o celular para conversar com a família.

Mas isso não funciona como um cronômetro. Cada cirurgia e cada paciente têm seu próprio tempo, e a liberação depende da avaliação da equipe.

A anestesia geral tem riscos?

Tem. Como qualquer procedimento médico, a anestesia geral envolve riscos.

É justamente por isso que existem avaliação pré-anestésica, planejamento, monitorização contínua e uma equipe preparada para acompanhar você durante todo o procedimento.

Conhecer previamente quem estará ao seu lado, tirar dúvidas e entender o que vai acontecer também faz parte do cuidado.

E, para terminar este texto, deixo quatro versos meus.

Detalhe do mostrador de um relógio antes dos versos finais
O relógio volta à narrativa: cada paciente e cada cirurgia têm o seu próprio tempo.

tic... tac... tic... tac...

Na calmaria destes versos, conte até dez.

Cada um representa um pouco da sua singularidade.

Aproveite esse último verso, querido...

A indução já iniciou. Descanse.

tic... tac... tic... tac...

Dr. Alexandre Rodrigues de Sá
Cirurgião do Aparelho Digestivo — Recife/PE

Importante
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual do cirurgião e do anestesiologista.